Mercado da energia solar deve crescer 250% no Espírito Santo em 2019

Mercado da energia solar deve crescer 250% no Espírito Santo em 2019

O Estado utiliza menos de 4% do seu potencial, mas, em 2018, parque fotovoltaico capixaba quadruplicou

Acompanhando a tendência nacional e internacional, o mercado de energia solar avança a passos largos no Espírito Santo. Apesar de ocupar a 15ª posição no ranking nacional – liderado por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, que concentram metade das unidades instaladas – o Estado viu quadruplicar seu parque fotovoltaico em 2018 e deve crescer 250% em 2019.

“O mercado capixaba está em fase inicial”, avalia o diretor da empresa ArLuz, Airton Lins, com sede em Guarapari. Com potência instalada de 15,98 MW – dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o mercado on grid – distribuídos em 1.897 usinas, a maioria residenciais, o Espírito Santo aproveita menos de 4% de seu potencial para mini e micro geração distribuída.

A energia solar traz benefícios para a economia (com geração de empregos em torno de 25 a 30 vagas por MW/ano), para o meio ambiente (pois não emite gases de efeito estufa) e para o consumidor (mais segurança no suprimento de energia elétrica e contas de energia mais baratas). “No sistema on grid ou interligado à rede, a economia na fatura mensal de energia pode chegar a 95%”, afirma Airton.

Por isso há que se comemorar a chegada, pouco a pouco, de diferentes empreendimentos e projetos de energia solar no Espírito Santo, como condomínios residenciais, fábricas e instituições de ensino.

“O crescimento deste ano deve se dar em todas as classes de usuários; residenciais, comerciais e industriais”, prevê o diretor da ArLuz, baseando-se em dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e da Grenner, empresa patrocinada pelos principais players do país, voltada para pesquisa e desenvolvimento do mercado de energia solar fotovoltaica.

Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o projeto de extensão Solares, iniciado em 2015 por um grupo de alunos da Engenharia Mecânica, hoje conta com membros de outros cursos, como Cinema Arquitetura e Engenharia, e de outras universidades públicas e particulares.

A atuação é em cinco áreas: térmica (aquecimento de água, on grid, off grid, barcos de competição e Solares Social, esse último realizado junto a escolas públicas de educação infantil, fundamental e média, onde são realizadas oficinas de minicarrinhos movidos a energia solar, sem uso de bateria.

O projeto já desenvolveu um barco movido 100% a energia solar, campeão no Desfio Solar Brasil – rali de barco movidos a energia solar. E, neste mês de julho, anuncia Brenda Bastos, estudante de engenharia mecânica e uma das gerentes do projeto, será inaugurada uma área de convivência abastecido com energia solar, perto do teatro da Ufes. Uma espécie de quiosque, com plugs para conectar notebooks e celulares, entre outros serviços. “Nosso objetivo é o desenvolvimento dos nossos membros e da sociedade, por meio de projetos que envolvam a energia solar em geral, incluindo pesquisa e extensão”, afirma.

Brasil e mundo

O segmento de energia solar ocupa a sétima posição na Matriz Energética Brasileira, com 1,2% do mercado (2.056 MW). A fonte com maior fatia ainda é a hídrica com 60,8% de participação (104.343 MW) seguida de biomassa e eólica com 8,6% (cada uma). No ranking estadual de geração distribuída e instalada, Minas Gerais é responsável por 21,7% do mercado de energia solar instalada (137 MW), em segundo lugar está o Rio Grande do Sul com 101,9 MW (16,2%) e em terceiro São Paulo com 76,5 MW (12,1%).

Segundo a Absolar, estão previstos R$ 21,3 bilhões em investimentos privados no segmento até 2022, referentes aos projetos já contratados em leilões de mercado regulado de energia elétrica. O preço médio da fonte solar fotovoltaica no LEN A-4/18 (leilão de compra de energia proveniente de novos empreendimentos de geração) está em torno de R$ 118,07/ MWh, menor do que os preços da energia por biomassa.

Estudos recentes realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) relatam que, só no Brasil, são mais de 50,7 milhões de residências que podem ser cobertas por placas fotovoltaicas.

Investir no setor é certeza de prosperidade. Apenas uma empresa, a multinacional austríaca Fronius, uma das líderes em tecnologia e em soluções de energia solar, responsável por mais de 30% do mercado brasileiro, registrou aumento de mais de 100% em suas vendas em 2018 e continua investindo em sua atuação no território brasileiro. “Para 2019, a perspectiva é de dobrar novamente o faturamento”, calcula o gerente Alexandre Borin.

Os países que mais investiram em energia fotovoltaica em 2017, conforme dados fornecidos pela Snapshot Of Global PV Markets, IEA (Instituto de Economia Agrícola), divulgados em 2018, foram: China com 131 GW; EUA 51 GW, Japão 49 GW, Alemanha 42 GW e Itália 19,7 GW. O Brasil ocupa a 10ª posição com 0,9 GW.